Papo de Especialista com:
Anderson Kanan, biomédico
Proprietário e RT – responsável técnico da clínica Saúde Livre Canela

1- SUS E REDE PRIVADA: QUAL SÃO AS DIFERENÇAS ENTRE AS VACINAS?
A primeira diferença está no cronograma das doses rede particular segue o calendário da Sociedade Brasileira de Imunização (SBIM), mais completo, e o calendário de vacinação da rede pública é norteado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), que inclui apenas as doses básicas.
A vacina da rede privada também possui menos reações por serem doses individuais, abrange uma cobertura vacinal maior, pois as vacinas são mais completas e possui vacinas que no não tem no SUS como a Meningite B.
2- TODOS NOS REAGIMOS DA MESMA FORMA ÁS VACINAS?
A vacinação é uma imunização ativa, isso é, depende da resposta do sistema imunológico de cada indivíduo. A grande maioria das pessoas saudáveis responde adequadamente à vacina, mas uma minoria pode não ficar protegida. Em geral, quanto mais jovem, melhor é resposta do sistema imunológico. Já as pessoas com doenças crônicas ou imunodeprimidas tendem a apresentar uma resposta menos eficiente. Além disso, pessoas imunodeprimidas e gestantes (pelo risco de infecção do feto) não podem receber vacinas vivas atenuadas, devido ao risco teórico de desenvolverem a doença.
3- POR QUE INICIAR A VACINAÇÃO DE CRIANÇAS TÃO CEDO?
As crianças pequenas são as mais suscetíveis as doenças, já que suas defesas imunológicas ainda não estão bem formadas. Quanto mais cedo for iniciada a vacinação, mais cedo elas ficarão protegidas. O índice de mortalidade infantil caiu 77% no Brasil em 22 anos e as vacinas estão entre os recursos que mais contribuíram para esse resultado.
4- O QUE SÃO VACINAS E COMO AGEM NO ORGANISMO?
As vacinas são o meio mais seguro e eficaz de nos protegermos contra certas doenças infecciosas, e são obtidas a partir de partículas do próprio agente agressor, sempre na forma atenuada (enfraquecida) ou inativada (morta).
Quando nosso organismo é atacado por um vírus ou bactéria, nosso sistema imunológico de defesa dispara uma reação em cadeia com o objetivo de frear a ação desses agentes estranhos. Infelizmente, nem sempre essa ‘operação’ é bem-sucedida e, quando isso ocorre, ficamos doentes.
O que as vacinas fazem é se passarem por agentes infecciosos de forma a estimular a produção de nossas defesas, por meio de anticorpos específicos contra o “inimigo”. Assim, elas ensinam o nosso organismo a se defender de forma eficaz. Aí, quando o ataque de verdade acontece, a defesa é reativada por meio da memória do sistema imunológico. É isso que vai fazer com que a ação inimiga seja muito limitada ou, como acontece na maioria das vezes, totalmente eliminada, antes que a doença se instale.
5- A APLICAÇÃO DE MUITAS VACINAS EM UM MESMO DIA FAZ MAL? PODE SOBRECARREGAR O SISTEMA IMUNOLOGICO?
Não. A aplicação conjunta de vacinas apropriadas para esse tipo de procedimento não implica risco para a saúde. Nosso organismo está preparado para responder de forma adequada, ou seja, para produzir os anticorpos que serão estimulados pelas vacinas
6- A AMAMENTAÇÃO NÃO CONSEGUE SOZINHA PROTEGER O BEBÊ?
Não de forma ampla e prolongada. A amamentação pode oferecer proteção direta por meio da transferência de anticorpos através do leite materno (desde que a mãe os tenha). Entretanto, essa proteção é temporária e limitada. Como nos primeiros meses de vida o organismo do bebê já tem condições de responder aos estímulos das vacinas, produzindo anticorpos específicos contra diversas doenças, é de fundamental importância vacinar, para que seu organismo desenvolva proteção de forma mais consistente e prolongada.
7- POR QUE SÃO NECESSÁRIAS TANTAS DOSES DE UMA MESMA VACINA NO PRIMEIRO ANO DE VIDA?
Ao nascer, o bebê traz no sangue muitos anticorpos da mãe, transferidos durante a gravidez. Eles são importantes para a proteção enquanto o bebê não produz seus próprios anticorpos, contudo, os anticorpos herdados podem interferir na efetividade das vacinas. Daí a necessidade de várias doses no primeiro ano de vida. Além disso, a imaturidade do sistema imunológico da criança requer mais doses de vacinas para se obter uma boa resposta.
8- A VACINA PODE CAUSAR DOENÇA?
Existem dois tipos básicos de vacinas: as inativadas (de vírus morto) e as atenuadas (de vírus enfraquecidos). As primeiras são produzidas por diferentes tecnologias que inativam os agentes infecciosos geralmente são usados partes destes agentes, sem conteúdo genético, ou seja, sem vida. Portanto, não há qualquer possibilidade de causarem doença. Já as vacinas atenuadas são produzidas de forma a enfraquecer a ação do agente agressor. Ao serem administradas, ele se multiplica no organismo o suficiente para estimular uma resposta imunológica adequada e segura. Porém, a pessoa pode, ocasionalmente, apresentar reações semelhantes às da doença, só que muito brandas.
9- PORQUE TEM VACINA QUE DEVE SER TOMADA DURANTE TODA VIDA E TEM VACINA QUE NÃO?
Porque algumas vacinas não geram proteção permanente, necessitando doses de reforço ao longo da vida para que os anticorpos – agentes de defesa – continuem em níveis adequados.
10- POR QUE NEM TODAS AS VACINAS SÃO GRATUITAS?
É impossível a qualquer governo mesmo dos países mais ricos oferecer gratuitamente todas as vacinas existentes, seja por questões econômicas ou de produção (abastecimento). Além disso, é preciso garantir o fornecimento contínuo da vacina de modo a alcançar as metas de cobertura vacinal (número de pessoas protegidas), o que em um país de dimensões continentais, como o Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, não é tarefa fácil.
Diante dessa realidade, os governos realizam estudos de custo-efetividade e custo-benefício para identificar quais vacinas representam maior impacto do ponto de vista da Saúde Pública e qual é a parcela da população que mais adoece com risco aumentado de gravidade
A partir desse esforço conjunto entre o público e o privado é que conseguiremos alcançar taxas cada vez mais altas de prevenção de doenças infectocontagiosas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como profissional biomédico e responsável técnico da sala de vacina, posso afirmar que ambas as vacinas (tanto no SUS quanto na rede privada) possuem qualidade, segurança, e aprovação da AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA -ANVISA. Porém, as vacinas da rede privada possuem seus diferenciais. São acelular, apresentam menos risco de reação, possuem uma cobertura maior contra mais doenças e o bebê sofrerá menos picadas. Outro diferencial na rede privada é o atendimento Home Care, onde o profissional vai até a residência realizar a vacina, além de disponibilizar técnicas e dispositivos para o alivio da dor na aplicação.
