Papo de Especialista com Franciele Velho sobre fisioterapia pélvica

Nosso Papo de Especialista  com Franciele Velho

Fisioterapeuta formada pela
Ulbra de Canoas e pós graduada em fisioterapia pélvica pela Faculdade Inspirar de Porto Alegre

 

1- O que é fisioterapia pélvica?
A fisioterapia pélvica é uma área da fisioterapia especializada na avaliação e tratamento dos músculos do assoalho pélvico. Esses músculos recobrem toda a parte inferior da pelve e apoiam os órgãos pélvicos, incluindo bexiga, útero e o intestino.
O assoalho pélvico também participa da micção e defecação, da continência de fezes e urina, função sexual, do parto e da resistência ao aumento da pressão intraabdominal.
A fisioterapia pélvica atua em prevenir e tratar as condições que envolvem o assoalho pélvico, como disfunções causadas pelo tensionamento ou enfraquecimento desses músculos.

2- Fisioterapia pélvica e pompoarismo são a mesma coisa?
Esta é uma dúvida muito frequente e a resposta é não.
O pompoarismo é uma técnica que tem o objetivo de fortalecer os músculos do assoalho pélvico com o intuito de melhorar a parte sexual. Já a fisioterapia pélvica trata-se de uma área da fisioterapia que avalia, previne e trata disfunções uroginecológicas.
Dependendo do caso da paciente, o pompoarismo pode ser aplicado como um recuso para o tratamento, porém não é indicado para todas as pacientes.
O tratamento fisioterapêutico nas disfunções do assoalho pélvico vai muito além de só contrair e relaxar.

3- Como ter a musculatura do assoalho pélvico forte?
Os músculos que compõe o assoalho da pélvico são como qualquer outro músculo do corpo, e só fica forte com treinamento muscular. Essa musculatura precisa além de ter força, ter resistência, coordenação, alongamento e relaxamento para que ele desempenhe sua função corretamente.
Portanto, devemos ter muito cuidado ao sair reaplicando técnicas que aprendemos na internet e acharmos que estamos fazendo fisioterapia pélvica.

4- Quando devo procurar um fisioterapeuta pélvico?
Em casos de incontinência urinária ou fecal, constipação, defecação dolorosa, prolapso de órgãos pélvicos, infecção urinária de repetição, disfunção sexual (dor à penetração, incapacidade de penetração vaginal, ereções dolorosas, ejaculação precoce entre outras), tratamento de endometriose, pós-operatório de prostatectomia, entre outros. Importante realizar uma consulta mesmo sem nenhuma das queixas acima com o intuito de prevenir essas disfunções.
5- Como funciona a avaliação?
A avaliação é feita na primeira consulta e é importantíssima, pois definirá os objetivos do tratamento fisioterapêutico. Iniciamos com uma conversa, a fim de identificar o que trouxe o paciente ao atendimento, quais suas queixas e a quanto tempo estão presentes, expectativas, como os sintomas estão impactando no dia a dia e a história clínica e hábitos urinários, fecais, sexuais…
É realizado a avaliação física, onde observamos a postura, abdômen, cicatrizes, padrão respiratório, mobilidade articular entre outros. Depois desse momento, caso o paciente se sinta à vontade, realizamos a avaliação perineal, através de um exame de palpação da musculatura íntima com objetivo de observar o tônus, força, relaxamento, coordenação, reflexos, coloração, sensibilidade, lesões e assimetrias.
Após o exame físico, explicamos os achados da avaliação e como serão os atendimentos, recursos que iremos utilizar, esclarecemos dúvidas e marcamos o próximo atendimento.

6- Como funciona o atendimento durante a gestação?
Durante a gestação a mulher sofre várias mudanças no corpo, e uma delas é a sobrecarga na pelve, que pode gerar dores pélvicas, dores lombares, incontinência urinárias, constipação intestinal entre outros incômodos. A fisioterapia atua tanto nas disfunções quanto na prevenção delas, gerando maior estabilidade para a pelve e bem-estar para a gestante.
Além disso, prepara o corpo da mulher para o parto oferecendo a percepção do expulsivo do bebê, relaxamento da musculatura para prevenir lacerações e bom condicionamento muscular, importantíssimo para o pós-parto também.

7- No caso de fisioterapia pélvica na gestação, é somente para quem deseja ter um parto normal?
A fisioterapia é um excelente aliado para as gestantes independente da via de parto que ela escolher. Uma boa preparação na gestação torna o pós-parto mais tranquilo.

😯 que caracteriza incontinência urinária e como a fisioterapia atua nesses casos?
Incontinência urinária é definida como qualquer perda urinária involuntariamente, seja ela gotas ou um jato mais forte.
A fisioterapia pélvica é reconhecida como a primeira linha de tratamento conservador para essas disfunções. Após uma avaliação minuciosa para identificar o tipo de incontinência e o que está causando-a, e é feito um plano de tratamento individualizado para cada paciente.

9- Quando dor na relação sexual não é normal?
Sentir dor não é normal. Chamamos de dispareunia a dor durante a relação sexual e ela não é normal no início, meio ou fim da relação sexual.
Estima-se que 50% das mulheres cm vida sexual ativa sofram com este problema. Apesar da alta prevalência e o impacto da dispareunia na vida das mulheres, muitas acabam por não procurar atendimento e sentem que sua dor é desvalorizada, já que por muitas vezes já escutou de profissionais da saúde que é somente relaxar que a dor passa.
Importantíssimo procurar ajuda nesses casos, pois dor sempre é um sinal de alerta. As relações sexuais devem ser prazerosas e não dolorosas e a fisioterapia possui diversas ferramentas para auxiliar no tratamento desta condição.

10- O que é endometriose e como a fisioterapia atua nestes casos?
A endometriose é uma doença caracterizada pela presença do endométrio (tecido que reveste o interior do útero) fora da cavidade uterina, ou seja, em outros órgãos. É mais comum os focos de endometriose em órgãos pélvicos, mas já existem relatos de casos de focos pulmonares e cerebrais.
Os principais sintomas da endometriose são dor e infertilidade. Existem mulheres que sofrem dores incapacitantes e outras que não sentem nenhum tipo de desconforto.
Entre os sintomas mais comuns da endometriose são: cólicas menstruais intensas, dor pré-menstrual, sangramento menstrual intenso e irregular, dor durante a relação sexual, fadiga crônica e exaustão, alterações intestinais ou urinárias durante a menstruação, dificuldade para engravidar ou infertilidade.
A fisioterapia pélvica possui muitos recursos para tratar os sintomas da endometriose, minimizando desconfortos e proporcionando melhor qualidade de vida para as pacientes.

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