
Desde o final do mês de abril, a Prefeitura de Canela está trabalhando para minimizar os impactos das fortes chuvas que atingem, não apenas o Município, mas todo o Rio Grande do Sul. Conforme o site Climatempo, a média de chuvas para o mês de maio em Canela é de 142 mm, no entanto, até o dia 13 foram registrados 529 mm, o que representa um aumento de 373% em relação ao acumulado normal para o período.
Com isso, as atividades normais e prioridades dos serviços do Executivo Municipal foram alteradas pela urgência de salvar vidas de pessoas que estavam em áreas de risco. Infelizmente, ainda assim duas mortes foram registradas na localidade de Rancho Grande, na zona rural. Ao todo, 246 pessoas precisaram deixar as suas residências, destas, 208 foram para abrigos disponibilizados pela Prefeitura.
O Salão Paroquial foi cedido à Defesa Civil para ser utilizado como ponto de arrecadação de doações, e a cozinha industrial foi cedida para a produção de refeições para as pessoas afetadas. Para tornar a arrecadação das doações e a logística de entrega a quem precisa mais eficiente, a Defesa Civil passou a contar com um espaço próprio, alugado pela Prefeitura para essa finalidade, localizado na rua João Pessoa, 819, com horário de atendimento das 8h às 11h30 e das 13h às 17h.
Após auxiliar a retirada das famílias de áreas de risco, as equipes da Secretaria Municipal de Obras, Serviços Urbano e Agricultura, concentraram os esforços na desobstrução das estradas, retirada de árvores caídas, limpezas de boca de lobo e drenagem. Os serviços foram realizados principalmente nas localidades de Morro Calçado, Bugres, Canastra, Rancho Grande, Chapadão, Passo do Louro, Morro do Catarina, Amoreiras, Quilombo, Linha São João e Linha São Paulo.
Conforme Constantino Orsolin, prefeito de Canela, alguns pontos de alagamentos foram identificados na área urbana. Serviços devem ser realizados nesses locais, com o objetivo de evitar que a situação se repita. De acordo com o gestor, a cidade não sofreu com mais inundações, porque recentemente a Secretaria de Obras realizou a limpeza de bueiros, o que colaborou com o escoamento das águas.
A Secretaria Municipal de Saúde está oferecendo assistência médica e psicológica às pessoas que estão em abrigos. Equipes percorrem todos os locais de acolhimento realizando atendimentos, renovação de receitas e encaminhando a especialidades, quando necessário.
Já a Secretaria de Assistência, Desenvolvimento Social, Cidadania e Habitação desde o início das evacuações recebendo os desalojados no Cras Santa Marta e depois encaminhado em abrigos em diversos bairros. Atualmente 265 pessoas estão fora de suas casas e destas 208 sob o atendimento da assistência, recebendo alimentação (café da manhã, almoço, lanche e janta) e diariamente a equipe passa nos abrigos para atender as demandas necessárias.
As pessoas que ficaram desalojadas, ou seja, aquelas que se deslocaram para casa de amigos e parentes, e que necessitam de algum tipo de auxílio como roupas, produtos de higiene e limpeza, ou para o cadastro de reparos em residências, devem procurar primeiramente por atendimento na base operacional da Defesa Civil, rua João Pessoa, 819, para receberem os devidos encaminhamentos.
Governo do RS passa Canela para situação de emergência
O Governo do Rio Grande do Sul limitou o número de cidades que estão em calamidade pública diante das chuvas e das enchentes de abril e maio de 2024. O número considerava 397 municípios nesta condição. Agora são apenas 46. Outros 320 municípios estão em situação de emergência.
Com isso, Canela passa do status de “calamidade pública” para “situação de emergência”. O decreto 57.614, de 13 de maio de 2024, altera o disposto no decreto 57.600, do dia 4 de maio. A normativa reitera o estado de calamidade pública no Rio Grande do Sul.
No documento, o governo aponta que “a partir da maior precisão das informações das áreas afetadas e dos danos ocorridos, verificou-se que os Municípios foram atingidos de forma diversa em seus territórios pelo mesmo evento adverso”, aponta o texto. Essa variedade de condições “traz a necessidade de reclassificação da intensidade do desastre, se considerado o respectivo território do município, para Nível II em algumas municipalidades”, conclui.
Quando ocorre a “calamidade pública”, os municípios precisam de ajuda dos governos federal e estadual para continuar prestando serviços básicos. Neste caso, as prefeituras têm acesso facilitado a recursos federais, podem fazer compras sem a necessidade de fazer licitações e, ainda, ultrapassar metas fiscais preestabelecidas por até 180 dias.
Na “situação de emergência”, as administrações locais ainda conseguem manter o atendimento à população, mesmo que este esteja prejudicado. Ou seja, o município precisa de recursos complementares para seguir prestando suporte à população.
A mudança de status – para mais ou para menos nos níveis de desastre – não chegou ao fim. Nos próximos dias, o governo do Estado deverá publicar novas atualizações da lista de calamidade e de emergência conforme avançarem as análises.
O prefeito Constantino Orsolin encaminhou ofício ao Coronel Luciano Chaves Boeira, coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil – RS, reforçando que Canela tem sido severamente afetada pelas recentes chuvas, alagamentos e deslizamentos, resultando em duas mortes e em danos significativos à nossa comunidade. Diante dessa situação crítica, solicitou a reclassificação da intensidade dos desastres para o estado de Calamidade Pública.
