
A inovação na gastronomia que perdura por décadas
Muitos visitantes que vem pra Serra Gaúcha, incluem entre as principais atrações do seu roteiro e programação, os tradicionalíssimos restaurantes típicos da região.
Não faltam opções como Cafés Coloniais, Casas de Fondue, Cantinas Típicas Italianas, Galeterias, Churrascarias, e as recentes pizzarias temáticas, além de uma infinidade de cafés, alguns deles também temáticos e inovadores.
Mas hoje vim pra contar uma história de inovação que mudou os rumos do turismo gastronômico na Serra, e colocou Gramado e a região na rota gastronômica de milhares de visitantes anualmente.
No século XVIII na Europa, no período auge da Revolução Industrial, muitos países passaram por crises significativas, e que castigaram principalmente as regiões rurais e países que não estavam se desenvolvendo industrialmente.
Nesta época, mais precisamente nas regiões de interior na Suiça, camponeses que trabalhavam em fazendas leiteiras e de produção de queijo, já alguns meses com baixa oferta de alimentos, estavam a mercê de perecerem de fome, quando um deles tem a brilhante ideia de derreter o queijo que estava se acumulando com a baixa nas vendas, e neste queijo derretido, mergulhar o pão dormido, de dias, semanas atrás, que de tão duro, não havia outra forma de consumí-lo, que não mergulhando neste queijo derretido para amolecer o pão, e desta forma, muitos destes camponeses venceram a fome e conseguiram superar estes periodos de crise na europa.
Mais tarde, já no século XX, em meados da década de 50, um Chef Sofisticado em Nova York cria uma versão re estilizada desta refeição que ficou marcada durante aquele período de crise na Europa, e começa a fazer sucesso, servindo seu inovador “Fondant” (O Fondue como conhecemos hoje), que consistia em derreter queijo (desta vez, queijos frescos, variados e de mais alta qualidade), acompanhados de pão novo, torradinhas, brioches e outros tipos de acompanhamentos, como legumes cozidos.
Para completar a refeição, carnes preparadas em uma panelinha com óleo fervente, para fritar a carne, acompanhado de molhos de diversos sabores, salgados, doces e agridoces.
Essa foi a reinvenção do Fondue, que surgia apenas na “versão salgada”, mas parece que faltava alguma coisa npe.
Nos anos 70, famílias gramadenses começam a viajar de férias de inverno para Bariloche, na Cordilheira Argentina, onde lá, fazia sucesso outro alimento que seria incorporado nesta refeição que futuramente virou marca de Gramado. Como destino de inverno, Bariloche possuía muitos cafés que serviam chocolates quentes, e outra guloseima, palitos de morango cobertos por chocolate derretido.
Estava aí o ingrediente perfeito para “completar” a tradicional sequência de fondue que conhecemos nos dias de hoje, frutas picadas cobertas com calda de chocolate artesanal de Gramado.
Reza lenda que o primeiro a juntar tudo isso em uma única refeição, e criar a primeira “sequencia de fondue’, ainda nos anos 70, teria sido um Senhor chamado Clécio Gobbi, chef gramadense de descendência européia, que super inova na gastronomia e inventa essa refeição que hoje possui dezenas de estabelecimentos somente nas cidades de Gramado e Canela, que nitidamente “se inspiraram” (pra não dizer copiaram) a refeição genuinamente gramadense e que é uma paixão dos visitantes que vêm à Serra.
Hoje estas casas representam uma grande fatia da receita deixada na região pelos visitantes, que geralmente conciliam a refeição harmonizando com um bom vinho, o que eleva consideravelmente o ticket medio deste turista gastronômico que é um público cada vez maior, também por conta dos compartilhamentos nas redes sociais.
Eu particularmente sou apaixonado por fondue, tenho a lembrança afetiva de na minha infância, os almoços de inverno serem fondues deliciosos que meus pais preparavam, uma refeição que tem o poder de envolver a todos que estão na mesa, seja no preparo, no compartilhamento dos molhos e acompanhamentos.
Atualmente, Gramado e Canela destacam-se por oferecerem uma grande quantidade de casas temáticas com ótimas sequências de fondue.
Desde casas super sofisticadas, à pequenos bistrôs, é possível encontrar essa iguaria em quase todas as ruas centrais das duas cidades.
Recentemente conhecemos a primeira casa temática de fondue, onde além da tematização, o local encanta pelo sistema da casa, um “buffet” de fondue, não havendo a necessidade do “preparo” dos alimentos, tudo vem prontinho servido na mesa do cliente. E ainda tem show super interativo, e até neva ao final do espetáculo. Tudo para proporcionar a melhor experiência para o visitante, a experiência mais impactante.
Uma inovação que exigiu criatividade, quem diria que uma refeição que foi sinônimo de pobreza na europa, virasse uma iguaria super sofisticada muitos anos depois.
E você, também gosta de fondue? Sabia desta história da origem do prato?
Acompanhe mais histórias inovadoras nas próximas colunas!
