Chegamos ao mês de outubro e as festividades das Oktoberfest estão a todo vapor.

Foto: Divulgação/Juliano Arnold
Gramado já havia iniciado, ainda em setembro, o seu recente, mas já consolidado evento. No primeiro final de semana de sua programação, levou milhares de pessoas até a ExpoGramado para aproveitarem as atrações musicais e toda a atmosfera que uma festa dessa natureza proporciona.
Já a NovaOktoberfest de Nova Petrópolis chega à sua 5ª edição valorizando a música como um dos pilares das tradições germânicas dos nossos antepassados, oferecendo uma programação cultural que valoriza o estilo germânico e as bandinhas que tanto sucesso fazem nas regiões de interior, sempre acompanhadas por um público muito animado.
A propósito, o local que recebe a festa da Capital Germânica da Serra Gaúcha é justamente a Linha Imperial, no interior do município, mas de uma importância histórica que remete ao início da formação e da própria história de Nova Petrópolis.
Nova Petrópolis tem se destacado cada vez mais com seus eventos turísticos, e obviamente que a sua NovaOktoberfest não seria diferente.
Mas é impossível não falar do município de Igrejinha quando o assunto é Oktoberfest.
E talvez seja justamente em Igrejinha que encontramos uma das mais bonitas traduções daquilo que uma festa pode representar para uma comunidade. A Oktoberfest de Igrejinha, que chega neste ano à sua 37ª edição, nasceu em 1988 e, ao longo das décadas, deixou de ser apenas um evento do calendário turístico para se transformar em parte da identidade da cidade e do Vale do Paranhana. Em 2026, a programação acontece de 9 a 18 de outubro, reunindo atrações musicais, gastronomia, cultura germânica e atividades para diferentes públicos.
Mas há algo que torna a Oktoberfest de Igrejinha especialmente diferente: a festa é construída pela própria comunidade. São cerca de três mil voluntários envolvidos a cada edição, número que representa uma participação extraordinária quando pensamos na dimensão da cidade. Mais do que pessoas trabalhando durante alguns dias de outubro, são famílias inteiras que, geração após geração, encontram na Oktober uma maneira de participar, contribuir e manter vivo um legado que ultrapassa a festa propriamente dita.
É bonito perceber que, em Igrejinha, o voluntariado também se tornou uma tradição. Há famílias em que pais, filhos e netos participam juntos da organização, repetindo gestos que começaram décadas atrás. É como se a Oktoberfest tivesse criado uma ponte entre passado e presente, permitindo que os costumes herdados dos antepassados não permanecessem apenas nos livros de história ou nas fotografias antigas, mas continuassem sendo vividos pelas novas gerações.
E talvez seja justamente aí que esteja a maior riqueza da Oktoberfest de Igrejinha: ela consegue transformar cultura em pertencimento e pertencimento em ação. O resultado financeiro da festa não fica restrito ao evento. Na edição de 2025, mais de 202 mil visitantes passaram pela Oktoberfest, e cerca de R$ 3,4 milhões foram destinados a 89 entidades da região. Ao longo de sua história, os repasses já ultrapassaram R$ 37 milhões, beneficiando iniciativas ligadas à saúde, educação, cultura, segurança e assistência social.
E quando falamos em impacto econômico, precisamos olhar para muito além dos portões do Parque de Eventos Almiro Grings. Uma festa que recebe centenas de milhares de visitantes movimenta hotéis, restaurantes, bares, supermercados, salões de beleza, lojas, empresas de transporte, produtores de trajes típicos e uma extensa cadeia de prestadores de serviços. Em 2025, a imprensa regional registrou hotéis com ocupação próxima de 100% durante alguns dias do evento, além do aumento da procura por serviços e produtos em diferentes municípios do Vale do Paranhana e arredores.
Esse movimento também demonstra que a Oktoberfest de Igrejinha não pertence somente a Igrejinha. Ela beneficia toda uma região. Quem chega para a festa muitas vezes se hospeda em municípios vizinhos, almoça fora do parque, visita outros atrativos turísticos, utiliza serviços de diferentes cidades e acaba conhecendo um pouco mais do que o Vale do Paranhana tem a oferecer. É uma engrenagem que começa dentro do parque, mas se espalha pelas cidades e pelos negócios da região.
E existe ainda um aspecto que considero particularmente simbólico. Em uma época em que tantas tradições correm o risco de se perder diante da velocidade das transformações, eventos como as Oktoberfest nos lembram que preservar o passado não significa viver preso a ele. Significa compreender de onde viemos e encontrar novas formas de fazer com que aquilo que recebemos como legado continue fazendo sentido para quem virá depois de nós.
Talvez seja essa a verdadeira essência das Oktoberfest da nossa região. O chope, a música, as danças, os trajes típicos, a gastronomia e a alegria são aquilo que vemos. Mas por trás de tudo isso existe algo muito maior: histórias de famílias, comunidades que se unem, voluntários que dedicam seu tempo, empreendedores que encontram novas oportunidades e uma cultura que continua sendo transmitida de uma geração para outra.
E, nesse sentido, Igrejinha nos oferece uma bela reflexão. Uma festa pode ser entretenimento, pode ser turismo e pode movimentar a economia. Mas também pode ser solidariedade, pertencimento e transformação social.
No final das contas, talvez seja justamente isso que nossos antepassados nos deixaram de mais importante: a compreensão de que uma comunidade se constrói quando as pessoas entendem que aquilo que fazem juntas pode ser muito maior do que aquilo que cada uma conseguiria fazer sozinha.
E talvez seja por isso que, quando outubro chega, a Serra Gaúcha e o Vale do Paranhana não estejam apenas celebrando uma tradição alemã. Estamos celebrando também a nossa própria capacidade de manter vivas as histórias que nos trouxeram até aqui — e de transformá-las em um legado para as próximas gerações.


