Nunca o teatro esteve tão vivo em Canela como nos dias atuais, Leia em Coluna Descubra a Serra Gaúcha

Voltamos aos tempos áureos do teatro Canelense?


Nunca o teatro esteve tão vivo como nos dias atuais.
Depois de um hiato de muitos anos, sem equipamentos, sem motivação, sem novos talentos surgindo, este celeiro da arte e da cultura que é o município de Canela, pareceu por vezes, quase enterrar a arte dramaturga dos seus palcos, muito por conta da falta destes espaços, de incentivos públicos, ou então pela desmotivação de quem por tantos anos fomentou e sustentou arte dramática na prática.
Nascido em encontros familiares nos idos da década de 20 em Canela, as primeiras manifestações cênicas surgiram em reuniões e saraus realizados em antigas casas da comunidade, quando amigos se reuniam para encenar pequenas peças, até que escolas locais passaram a adotar a arte como ferramenta de ensino.
Esta arte ia se fortalecendo entre os anos 50 e 60, e o município destacava-se pela força das produções locais e, posteriormente, pela realização de grandes eventos e festivais que colocaram a cidade no mapa cultural, com destaque especial para a tradição do teatro de animação e de bonecos, este último que virou vetor e propulsor de um turismo cultural que atraía entusiastas e um grande público que vinha prestigiar com olhos extasiados os bonecos e seus talentosos bonequeiros.
Neste momento do seu ápice, o Teatro Municipal, popularmente conhecido como “Teatrão”, tornava-se o principal palco e símbolo da resistência e da força das artes cênicas na cidade.
Na minha infância nos anos 80 e 90, lembro com muito bom grado de toda a movimentação que via na cidade com aqueles bonecos gigantes, os desfiles, e algumas apresentações que assisti no teatrão com as turmas da escola e também com minha mãe, uma grande incentivadora da nossa apreciação pela cultura.
Depois dos anos 2000, continuei sempre muito impactado com essa arte bonequeira, e via cada vez mais o quanto aquilo representava para a cidade, até entender a contribuição econômica que eventos desse porte traziam para a nossa cidade e região. Após iniciar minha carreira profissional no turismo da cidade, compreendi ainda mas a importância do Festival de Bonecos e da arte teatral em si, como vetor cultural do município, além do acréscimo na economia que esse tipo de atividade tinha capacidade de agregar em nossa região.
Mas todos sabemos que o evento se extinguiu, a pelo menos uns 8 anos, e ficaram apenas as memórias de uma época em que bonecos de todos os tamanhos desfilavam pela cidade, e a arte pulsava nas ruas, no centro, no tetrão, na Casa de Pedra e por todo o município.
Claro que os bonecos foram um marco importantíssimo na história de Canela, mas temos que concordar que o teatro por sí só, fomentou demais a cultura canelense, como muito bem registrado no Livro “A História do Teatro”, da multitalentosa Lisi Berti, onde ela resgata nas profundezas das origens do teatro canelense, como tudo começou e os rumos que a arte teatral seguiu em nossa cidade.
E obviamente que com toda a sua expertise artística, a própria Lisi Berti e sua Companhia Teatral, continuaram formando atores e artistas nos últimos anos, entregando para o trade turístico e principalmente para os parques temáticos, profissionais capazes de apresentar as atrações com uma pegada lúdica e artística, que também contribuíram muito para que nos tornássemos a capital nacional dos parques temáticos.
Falando na dita cuja, seria impensável redigir uma coluna falando do teatro canelense, sem exaltar essa figura tão representativa para a arte de Canela.
Lisi Berti vem subindo a régua ano após ano com as suas turmas de montagem, e apresentou em agosto duas peças de altíssimo nível, Don Casmurro e Tartufo, lotando as dependências do Teatrão com um público que assistiu extasiado a performance dos alunos da Companhia de Teatro, que demonstraram todo o aprendizado de meses de estudos e preparação que tiveram com essa gigante do teatro.
Não bastando “apenas isso”, ela se juntou ao elenco da peça “O Perfume”, dirigida por Tiago Melo, que está em cartaz nessa mini temporada de 5 dias que está ocorrendo esta semana no Clube Serrano, com apresentações às 21h, de histórias de Nelson Rodrigues, e adaptações muito bem elaboradas por este outro ícone do teatro canelense, o Tiago Melo, e um verdadeiro show de performance dos atores que compuseram esse brilhante elenco.
E por fim, Lisi resgata outra iniciativa muito bem sucedida no passado, que retorna em 2026 em alto estilo. A Maratona de Monólogos, que acontecerá em Outubro, no principal palco canelense, o Teatrão, com apresentações solo, homenagens, premiações, e muita arte pulsando durante 5 dias de 19 a 24 de outubro.
Eu costumo dizer na rádio que, falar de Lisi Berti e o teatro e a cultura canelense, é “chover no molhado”, mas precisava citá-la nesta humilde coluna, já que me atrevi à falar do teatro canelense.
Lisi está impecável nas esquetes da Peça O Perfume, assim como todo o formidável elenco escolhido à dedo por Tiago Melo, e que ainda se apresentará hoje (sábado) e domingo no Clube Serrano em Canela.
Eu, se fosse você que está lendo esse texto agora, não hesitaria em comprar agora mesmo o seu ingresso para assistir esse desbunde artístico que está se encerrando por estes dias.
Até a próxima semana!

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