Entrega do Inventário de Referências Culturais valoriza saberes rurais da Serra Gaúcha

O projeto Inventário de Referências Culturais (IRC) entra em sua reta final com a entrega oficial dos relatórios e mostras fotográficas nas cidades de São Francisco de Paula, Canela e Gramado, entre os dias 4 e 12 de novembro. A iniciativa foi selecionada no edital do Concurso Sedac PNAB RS nº 31/2024 – Memória e Patrimônio, com financiamento da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), Pró-Cultura, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Rio Grande do Sul e realização do Ministério da Cultura, que documentou modos de fazer tradicionais ligados à alimentação, com destaque para as comunidades rurais que preservam receitas e práticas herdadas de gerações, principalmente de origem italiana e alemã.

A pesquisa, conduzida pela Clic – Marketing e Vendas em parceria com a Emater/RS-Ascar e as Prefeituras Municipais, também contou com o apoio do Instituto Histórico e Artístico do Estado, mapeando práticas culturais como a panificação, produção artesanal de chimias e geleias, cucas e paçoca de pinhão — elementos que surgiram como possíveis bens imateriais para reconhecimento como patrimônio cultural do Rio Grande do Sul.

“Esses fornos e modos de fazer revelam muito da identidade das comunidades da Serra. O inventário é o primeiro passo essencial para qualquer processo de reconhecimento como patrimônio cultural, e esse projeto deixa um importante legado para o Estado”, explica Fernanda Pereira, coordenadora do projeto e especialista em patrimônio cultural.

As atividades incluem a apresentação dos relatórios finais e uma mostra fotográfica itinerante que retrata o cotidiano das famílias rurais, seus alimentos e as paisagens naturais de cada localidade. As entregas aconteceram em São Francisco de Paula na terça-feira (04/11), em Canela na quarta-feira (05/11) e será realizada em Gramado na próxima quarta-feira (12/11), na Gramadotur (Sala Hortênsias).

Além da exposição, os eventos contam com falas de representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae), Emater/RS-Ascar e das Prefeituras Municipais, além da participação da convidada Márcia Godinho, que aborda o tema “Roteiros culturais e turismo sustentável” nas cidades de Gramado e Canela.

“O inventário é um documento vivo. Ele nasce do olhar e da fala das comunidades, principalmente das mulheres, que mantêm viva a tradição do pão, das cucas, chimias e das festas comunitárias”, destaca Adriane Laste, produtora do projeto.

“O resgate histórico dos nossos usos e costumes, das tradições, do artesanato e da culinária é algo que nos enaltece e nos deixa mais confiantes quanto ao futuro, porque nos ajuda a compreender melhor o passado e a repensar nossos caminhos. O inventário de referências culturais realizado em Canela, Gramado e São Francisco de Paula buscou identificar saberes e práticas, especialmente na área culinária, resgatando alimentos elaborados há muitos anos e que têm potencial para se firmar como produtos de origem. Além de valorizar a cultura e fortalecer a autoestima, esse trabalho pode gerar renda e fortalecer a identidade das comunidades. Aqui em Canela, os agricultores participaram ativamente, compartilhando seus conhecimentos e histórias familiares. A Emater se empenhou em apoiar o processo, promovendo o contato entre pesquisadores e famílias rurais e contribuindo para um belo resgate dessas receitas que fazem parte da nossa história”, observa Alexandre Meneguzzo, extensionista rural da Emater/RS-Ascar de Canela.

O trabalho, que obteve o primeiro lugar no edital estadual da linha de inventários culturais, se consolida como uma referência metodológica para novos processos de registro de patrimônio imaterial no Rio Grande do Sul. O acervo resultante — composto por entrevistas, imagens, registros sonoros e vídeos — servirá de base para futuras candidaturas de bens culturais, fortalecendo o vínculo entre cultura, território e turismo rural.

O projeto é coordenado pela especialista em Patrimônio Cultural Fernanda Pereira, pela empreendedora social Adriane Laste e pela pesquisadora e doutora em Ciências Sociais Carla Mendonça.

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