Papo de Especialista sobre hábitos alimentares com Fernanda Trein

Nesta semana, o Papo de Especialista é com a nutricionista Fernanda Trein.  Com pós-graduação em Nutrição Esportiva e Hipertrofia e atuação em emagrecimento e nutrição comportamental, ela falou sobre a importância de cuidar dos hábitos alimentares.

Confira as dicas:

Nos últimos anos, temos visto muitas mudanças nas tendências alimentares. Quais você considera positivas e quais podem ser prejudiciais à saúde?

Nos últimos anos, temos observado um maior interesse das pessoas em consumir mais proteínas nas refeições, o que é positivo para diversos públicos. O consumo adequado de proteínas contribui pra saciedade, auxilia na preservação da massa muscular durante o  emagrecimento e favorece a recuperação e ganho de massa muscular para quem pratica exercícios.

Por outro lado, também tem sido comum ver quem busca emagrecimento focar exclusivamente em reduzir as calorias consumidas – sem considerar a qualidade nutricional das refeições. Muitas vezes, há um consumo excessivo de produtos “zero”, que pode prejudicar especialmente a saúde intestinal.

Como a alimentação influencia diretamente o nosso bem-estar físico e mental?

Uma alimentação rica em gorduras ruins e ultraprocessados nos deixa sem energia, nos sentindo pesados e até com a imunidade mais baixa. Isso impacta no nosso desempenho nas tarefas diárias. Em contrapartida, quando a alimentação melhora, um dos primeiros benefícios que a maioria das pessoas percebe é justamente mais disposição e leveza.

O que a ciência mais recente tem mostrado sobre dietas restritivas? Elas funcionam a longo prazo?

Estratégias mais restritivas podem ter um papel pontual, em contextos específicos e com acompanhamento profissional. A longo prazo, não são sustentáveis e podem causar deficiências nutricionais. Pensando em emagrecimento, o sucesso a longo prazo depende muita mais da construção de hábitos e de uma mudança real no comportamento alimentar – com uma alimentação equilibrada, que respeite as preferências individuais, o contexto social e que se encaixe na rotina.

Muitas pessoas buscam “alimentos milagrosos”. Existe realmente algum alimento que podemos chamar de superalimento?

Os benefícios da alimentação para a saúde e na prevenção de doenças relacionados ao padrão alimentar, e não a um alimento isolado. Dentro de um padrão alimentar e de estilo de vida desequilibrado, um alimento sozinho não vai ter tanto impacto. Diversos alimentos tem efeito positivo e nos trazem benefícios, mas quanto mais diversidade de cores, nutrientes e compostos bioativos fizerem parte da rotina, melhor será o impacto para a saúde.

Como o nutricionista pode ajudar na prevenção de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e obesidade?

O nutricionista tem um papel fundamental no direcionamento para a mudança de hábitos e na educação nutricional – ajudando o paciente a fazer escolhas que estejam alinhadas com a saúde no longo prazo. Com uma orientação individualizada, a alimentação é ajustada de acordo com as necessidades e histórico de cada pessoa, prevenindo alterações que podem levar as doenças crônicas.

Quais são os erros mais comuns que as pessoas cometem quando tentam “comer de forma saudável”? O que você recomenda para quem quer mudar a alimentação, mas não sabe por onde começar?

Um erro que percebo com frequência é o focar em estratégias mais extremas sem que o básico esteja ajustado. Aumentar o consumo de frutas e vegetais (no mínimo 400g/dia) e reduzir embutidos, frituras, açúcar e ultraprocessados já fazem uma grande diferença para a nossa saúde.

Também é comum o pensamento rígido com relação a alimentação, na linha do “8 ou 80”, que pode gerar culpa e ansiedade ao buscar uma perfeição que não existe. Lembrar que o contexto e a constância são mais importantes, além de ter paciência consigo mesmo, é essencial nesse processo.

De que forma o ambiente e a rotina influenciam nossas escolhas alimentares?

Influenciam diretamente! Uma pessoa com pouco tempo livre durante a semana, que chega em casa cansada e tem apenas opções pouco nutritivas disponíveis em casa, provavelmente vai preferir algo rápido a preparar algo mais saudável.
O segredo está na organização. Com planejamento, é possível ter praticidade sem abrir mão da qualidade: deixar frango, atum, ovos, receitas caseiras congeladas à disposição facilita muito na hora de montar refeições completas.
Além disso, em momentos de estresse, o cérebro tende a buscar alimentos mais palatáveis – ricos em sódio, açúcar e gordura. Por isso, é importante reduzir a disponibilidade desses alimentos em casa, evitando mantê-los facilmente acessíveis se você não quer consumi-los com frequência.

Com o aumento das informações nas redes sociais, como diferenciar orientações sérias de modismos ou fake news sobre alimentação?

Procure sempre informações de profissionais de saúde qualificados, que baseiam suas orientações em evidências científicas. Desconfie de perfis anônimos ou “influencer” que vendem produtos milagrosos. Desconfie de soluções rápidas, extremas ou sensacionalistas – que classificam alimentos como “veneno” ou que “curam todas as doenças”. Sempre se pergunte – isso parece plausível?

Como você vê o papel da nutrição no futuro — especialmente com o avanço da tecnologia e das dietas personalizadas?

A tecnologia tem permitido um cuidado nutricional cada vez mais individualizado. No meu acompanhamento, é uma grande aliada ao oferecer ferramentas que facilitam a comunicação e ampliam as possibilidades de acompanhamento entre as consultas, tornando o processo mais próximo e contínuo.

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