Papo de Especialista com a psicóloga Thalita Diniz sobre a psicoterapia infantil

Papo de Especialista com:

Thalita Diniz- Graduada em psicologia, especialista em neuropsicologia clínica, especialista em terapia cognitivo comportamental, Certificada internacionalmente em avaliação diagnóstica para o Transtorno do espectro do autismo (TEA).
Atualmente sócia proprietária do núcleo integrado de desenvolvimento humano SINAPSES , atuando na área de avaliação neuropsicológica em pré-escolares, crianças, adolescentes, adultos e idosos, com pratica clínica em orientação parental, cursos e treinamentos para professores e supervisão clinica para psicólogos e neuropsicólogos.

Entrevista:
O que é a psicoterapia infantil?
É um espaço de acolhimento e cuidado com a saúde mental infantil, a psicoterapia infantil tem como objetivo auxiliar nas emoções das crianças, permitindo que ela entenda a si própria e a sentimentos como ansiedade, frustração, medos, inseguranças, além da possibilidade de ressignificar eventos traumatizantes.
O terapeuta auxilia na maneira como cada criança irá lidar com as próprias emoções, além de um espaço para o aconselhamento de pais diante das demandas infantis.

Criança tem problema psicológico?
As crianças podem desenvolver todas as mesmas condições de saúde mental que os adultos, mas às vezes as expressam de forma diferente. Por exemplo, crianças deprimidas frequentemente mostram mais irritabilidade do que adultos deprimidos, que tipicamente demonstram tristeza.
As crianças podem experimentar uma série de condições de saúde mental, incluindo:
 Transtornos de ansiedade;
 Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH);
 Transtorno do espectro do autismo (TEA);
 Transtornos alimentares;
 Transtornos de humor.

Sem resolver as complicações no desenvolvimento da personalidade durante a infância, o problema pode se agravar? É importante ressaltar que a personalidade é uma formação complexa do psiquismo humano, que engloba tanto as capacidades cognitivas quanto as emoções, a vontade, os traços de caráter. A personalidade é um sistema constituído por distintas funções psicológicas que, integradas, caracterizam a forma peculiar de cada indivíduo atuar no mundo. Diante disso, podemos dizer que sim, se durante o processo de formação da nossa personalidade houverem situações traumatizantes, essas se não tratadas, podem se agravar na vida adulta.

Problemas no desenvolvimento da personalidade significam que a criança tem uma doença mental?
Quando uma criança passa por eventos traumáticos ou por situações difíceis, ela pode desenvolver características de ansiedade e depressão, pode se tornar um adulto inseguro ou com humor irritável, porém isso não configura doença mental.

Como a criança vai superar os problemas no desenvolvimento da personalidade?
A criança absorve tudo o que vê, principalmente na primeira infância, em que ela descobre o mundo. Todo o desenvolvimento infantil depende, essencialmente, do ambiente no qual ela está evoluindo. Sendo assim um ambiente saudável e psicoterapia tende a ser muito importante para dar suporte as crianças que sofreram qualquer trauma ou situações difíceis.
Quando os pais devem procurar um trabalho de psicoterapia infantil?
Muitos pais têm dúvidas de quando devem levar ou não o filho ao psicólogo. Os sinais costumam ser notados quando determinado comportamento da criança se torna muito frequente e acarreta prejuízos tanto para ela, quanto em suas relações interpessoais.
Há alguns sintomas que podem ajudar a identificar essa necessidade. Alguns deles são: irritabilidade, choro excessivo, agressividade, isolamento, dificuldades escolares ou de concentração, atraso no desenvolvimento.

O psicólogo faz sessões com a criança?
A psicoterapia infantil funciona através de sessões realizadas entre o psicólogo e a criança, e a duração dela irá depender de certos fatores, como a evolução do paciente.
As primeiras sessões do acompanhamento psicológico de crianças acontecem, em geral, com os pais ou responsáveis.
Essas primeiras sessões são importantes porque permitem que o psicólogo possa obter informações sobre a criança e ainda conheça melhor sobre a dinâmica familiar na qual ela está inserida.
Com todas as informações reunidas e uma maior compreensão sobre o contexto geral da vida do paciente, o psicólogo poderá então entender quais são as possíveis queixas, problemas e soluções para aquela criança.

Como são feitas as sessões com a criança?
As crianças são atraídas por brincadeiras lúdicas e estas estratégias são utilizadas pelos psicoterapeutas para aumentar a conexão com os seus pequenos pacientes.
A técnica conhecida como Ludoterapia é uma das mais utilizadas na psicoterapia infantil e tem o objetivo de recorrer a brincadeiras e jogos para que a criança se sinta segura em dizer ou demonstrar o que pensa.
A atividade a ser usada vai depender da abertura que o paciente apresenta para interagir e dos tipos de questões a serem abordados.
Durante as brincadeiras, as crianças se soltam e acabam transferindo para a atividade muitos dos seus sentimentos. Essa transparência faz com que o psicólogo identifique com mais facilidade os problemas que o paciente está enfrentando e encontre diferentes formas de orientá-lo na busca pela melhor solução.

Quanto tempo dura a psicoterapia infantil?
Não há um protocolo fixo estabelecido, o tempo de psicoterapia infantil vai depender da demanda do paciente, ou seja, é preciso primeiro compreender o que está ocorrendo com essa criança, depois é necessário desenvolver vínculo com o paciente e a partir dessas etapas é que inicia i processo de intervenção.

Criança tem que tomar remédio?
O uso de medicação vai depender da intensidade dos sintomas e prejuízos em sua vida, bem como o diagnóstico que a criança apresenta, para determinar se a necessidade de avaliação psiquiátrica e então o uso de psicofármacos.

O psicólogo receita remédios?
Essa dúvida é muito comum e sempre me perguntam no consultório.
O psicólogo não pode receitar remédios e nem fazer ajustes em dosagens dos medicamentos dos pacientes. Essa pratica é restrita aos médicos. O psicólogo atua no comportamento humano e auxilia o paciente na adesão ao tratamento medicamentoso. Muitas vezes somos nós psicólogos quem fazemos esse encaminhamento ao psiquiatra.
Nossa tarefa diante da medicação é de acompanhamento sintomático, ou seja, verificar se está havendo ou não remissão dos sintomas e como o paciente está lidando com os efeitos colaterais.

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